A inexorável passagem do tempo

No início existia apenas o Caos,  que cansado da solidão criou Gaia, a Terra, dando a ela também o poder de criação.

Gaia criou Urano, o Céu. Gaia e Urano uniram-se e deram origem a vários  filhos :  os Ciclopes, gigantes de um só olho e poder fenomenal e os Titãs, deuses gigantes que incorporavam as forças da natureza. Como por exemplo, Poseidon, o deus do mar.

Um dos filhos desse fantástico casal, o titã Cronos era extremamente cruel e ambicioso. Desejava tornar-se tão  poderoso quanto o seu pai Urano, e conseguiu, articulando um terrível plano para afastá-lo do poder e tomá-lo para si.

O plano era o seguinte: Cronos esperou seu pai pegar no sono, atacou e feriu-o de forma que este jamais pudesse gerar outra criatura, castrando-o; ironicamente desse ato tão bárbaro e cruel nasceu a bela  Afrodite, a deusa do amor. Pois a genitália de Urano foi jogada ao mar e o sêmem que ali estava armazenado juntou-se com as espumas do mar gerando a bela deusa que foi criada em uma ilha e alimentada de frutos do mar, por isso eles são considerados afrodisíacos.

Cronos tomou assim o poder de seu pai que rogou-lhe uma praga:

 – Que um dia seus filhos façam a você o mesmo que fez a seu pai!

Com medo do vaticínio do velho Urano, Cronos engolia cada um de seus filhos assim que estes nasciam.

 Até que um dia, sua esposa, Réia cansada de ver seus filhos engolidos um a um , embrulhou uma rocha em um manto e entregou  ao marido, feito isso entregou o filho para ser criado bem longe do estômago do pai. Tal bebê era Zeus, que ao tornar-se adulto libertou seus irmãos da barriga do pai, fazendo-o vomitá-los, com a ajuda dos irmãos e de alguns aliados lutou contra o pai, tal guerra, A Batalha de Titãs, durou dez anos e terminou  com a vitória de Zeus, que passou a ser o deus do Olimpo, o mais importante deus do panteão grego.

Cronologia, cronometragem, cronometria, cronômetro, palavras que se originam de Cronos, o cruel, o implacável, o temido, aquele que nunca volta atrás , o inexorável:  o  Tempo!

Cronos engolindo os filhos é a representação da cruel  passagem do tempo.

O tempo, aquele que nos aproxima da morte, é  um fantasma que até hoje aterroriza a maioria de nós. Em todas as civilizações antigas, modernas e contemporâneas, o homem vem tentando afugentar esse fantasma. Criamos lendas, usamos a ciência, fazemos plástica, tratamentos de beleza, tomamos poções mágicas; mesmo sabendo que o tempo não pára, mas na ânsia de poder, no mínimo, esconder seus efeitos ou, pelo menos,  retardá-los .

No fundo todos nós sabemos que o nosso destino é o mesmo dos filhos de Cronos, seremos engolidos por ele, o inexorável Tempo.

 

Jane Maria de Almeida Barbosa

 

Uma resposta to “A inexorável passagem do tempo”

  1. Gosto muito de mitologia apesar de saber pouco
    gostei da informação

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