Têmis e Zeus: Justiça e Poder

Têmis e Zeus: Justiça e Poder

Têmis ( ou Justitia, sua equivalente romana) , a deusa da justiça,  representada com os olhos vendados, tendo numa das mãos uma balança e na outra uma espada,  era para os gregos a personificação da ordem mundial e do equilíbrio eterno. Os olhos vendados simbolizam a imparcialidade em seus julgamentos; a balança, o equilíbrio na hora de pesar os argumentos contra e a favor dos acusados e a espada é o sinal do poder  da justiça.

         As sentenças de Têmis eram tão respeitadas que o próprio Zeus fez com que ela se sentasse em seu trono para aconselhá-lo.

         Aqueles que escapavam ou zombavam da justiça eram duramente punidos com tormentos secretos pelas Erínias, também conhecidas como Eumênides. As Erínias eram três deidades: Alecto, Tesífone e Megera, tinham as cabeças cobertas de serpentes e o aspecto assustador.

         Têmis era a mãe das Moiras, ministras do Destino, encarregadas de executar suas ordens, viviam e trabalhavam no isolamento  de uma caverna escura. Sérias e quietas, justas e implacáveis; provocavam medo nos homens e eram respeitadas pelos deuses, nenhum deles ousava interferir nos seus desígnios.

         As Moiras trabalhavam no tear do Destino: Clotó, a fiandeira, ficava trançando os fios do destino de cada ser desde o instante de seu nascimento; Láquese, a medidora, examinava a vida de cada criatura e determinava qual a melhor hora para as coisas acontecerem e Átropos, a cortadora, avaliava a vida de cada um e determinava, com muita sabedoria e justiça, o dia de sua morte, cortando o fio da vida trabalhado pelas  irmãs.

         O Destino era um deus cego e inflexível, todos os outros seres, inclusive os olímpicos, estavam submetidos ao seu poder. Céu, terra, mar e infernos faziam parte de seu império, tudo o que ele resolvia era irrevogável, nem mesmo Zeus tinha poder de aplacá-lo. Suas leis eram escritas, desde o princípio da criação, em um lugar onde os deuses podiam consultá-las.

         Com exceção dos deuses, somente os oráculos podiam consultar o Livro do Destino e apenas eles podiam revelar o que nele estava escrito.

         O mais célebre de todos os oráculos era o de Apolo em Delfos. Onde a palavra  do deus era transmitida por intermédio de uma sacerdotisa, a Pítia, que ficava sentada sobre uma trípode (assento de três pés), na borda de um fosso por onde saía o sopro divino que a fazia entrar em transe.

         O fiel que desejasse consultar o oráculo deveria para isso, purificar-se e oferecer um sacrifício. Só depois podiam perguntar, obtendo uma resposta cifrada, em termos pouco claros, que precisavam ser interpretados.

         Zeus colocando Têmis em seu trono para aconselhá-lo é uma alegoria que representa a relativização (não existe verdade absoluta, ou solução definitiva para nada no universo) procedente de uma visão holística nas questões da manutenção da ordem mundial.

         Zeus representa, portanto, a força e o poder de decisão dos governantes e Têmis, o equilíbrio e a justiça no exercício do poder; evitando, assim, abusos por parte dos poderosos.

         O poder sem justiça, é facilmente corruptível. É, pois; a corrupção, resultado do  poder sem  justiça.

Jane Maria de Almeida Barbosa

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