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Entre Montanhas e Sonhos | Capítulo 7: Os Primeiros Sonhos

18 out

Depois de ser alfabetizado por Dona Marcolina, José Carlos ingressou na 1ª série cheio de curiosidade e ansioso por mais descobertas. Embora a sala de aula fosse pequena e simples, com cadeiras de madeira gastas e uma lousa antiga, para ele aquele ambiente representava um mundo de possibilidades. A escola de Seropédica, embora modesta, era o lugar onde ele podia se perder nas palavras e nas histórias, ampliando seu universo a cada página virada.

O primeiro ano foi um período de adaptação. José Carlos, com sua natureza observadora, rapidamente se destacava por sua sede de aprender. Enquanto muitos de seus colegas viam os estudos como uma obrigação imposta pelos pais, para ele, os livros eram uma porta aberta para mundos novos. O caderno com as primeiras letras rabiscadas logo foi preenchido com pequenas frases, e José Carlos passava mais tempo na biblioteca da escola do que nos intervalos de brincadeiras.

A professora da 1ª série, Dona Lúcia, era uma mulher gentil e paciente. Ela percebeu rapidamente a facilidade que José Carlos tinha para as palavras, e, embora gostasse de incentivar todos os alunos, reservava sempre um tempo extra para dar a José Carlos livros mais complexos, desafiando sua imaginação. Dona Lúcia frequentemente elogiava a curiosidade do menino, sempre o incentivando a explorar novos conhecimentos.

A obra é fictícia. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

Entre Montanhas e Sonhos | Capítulo 6: Primeiros Passos na Jornada Escolar

18 out

José Carlos crescia correndo pelas ruas de Seropédica, sempre descalço, com os cabelos despenteados e os olhos brilhando de curiosidade. Ao contrário dos outros meninos que admiravam a vida militar, o uniforme impecável e as histórias de batalhas que seu pai contava, José Carlos se interessava pelo céu, pelas estrelas, pelo vento que balançava as árvores. Passava horas deitado no quintal, observando o movimento das nuvens e sonhando com lugares distantes. Seu mundo era feito de fantasias, de histórias que ele criava e recontava a si mesmo enquanto olhava para o horizonte.

Na escola, José Carlos era um aluno curioso. Embora não fosse o mais aplicado em matemática ou inglês, as aulas de literatura eram seu refúgio. Ele se encantava com as histórias de aventuras, de heróis que cruzavam terras desconhecidas, e imaginava que um dia poderia viver algo assim. Sua professora da primeira série, Dona Lúcia, notava esse brilho diferente nos olhos de José Carlos, e embora soubesse das expectativas de Nivaldo para o filho, ela incentivava o menino a nunca parar de sonhar.

“Você pode ser o que quiser, José Carlos”, dizia Dona Lúcia, sempre com um sorriso. “O mundo lá fora é grande, e seus sonhos são sua bússola.”

Mas em casa, a realidade era diferente. Nivaldo ficava cada vez mais impaciente com o comportamento “sonhador” do filho. Ele queria ver em José Carlos o mesmo compromisso que ele havia assumido desde cedo com a pátria, com a disciplina. A cada ano que passava, as conversas sobre o futuro de José Carlos tornavam-se mais sérias. Aos 10 anos, Nivaldo já falava de colégios militares, de treinamentos e de responsabilidades. José Carlos, no entanto, sentia-se sufocado, como se os prédios ao redor de Seropédica o estivessem aprisionando.

A obra é fictícia. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.