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Entre Montanhas e Sonhos | Capítulo 10: Amadurecimento e Reflexão na 4ª Série

21 out

Na 4ª série, José Carlos já era visto como um dos alunos mais promissores da escola. Sua dedicação aos estudos e sua habilidade com as palavras o faziam se destacar. No entanto, ao mesmo tempo, ele começou a sentir o peso das expectativas. Seu pai, Nivaldo, cada vez mais pressionava o garoto a seguir uma trajetória militar, enquanto suas professoras e sua mãe o incentivavam a buscar o caminho da educação.

A professora da 4ª série, Dona Sônia, foi uma das maiores influências em sua vida escolar. Ela era uma mulher jovem e cheia de energia, com uma visão ampla sobre o papel da educação. Para ela, a escola não era apenas um lugar onde se aprendia matérias, mas um espaço de formação para a vida. Dona Sônia incentivava seus alunos a pensar criticamente, a questionar o mundo ao redor deles e a buscar o conhecimento por conta própria.

Com ela, José Carlos aprendeu a arte da reflexão. As aulas de redação tornaram-se um espaço onde ele podia explorar não apenas histórias fictícias, mas também suas próprias ideias sobre o mundo. Ele escrevia sobre sua cidade, sobre os sonhos que tinha de viajar, sobre o desejo de escapar do destino que parecia traçado para ele. Dona Sônia lia com atenção cada uma de suas redações e sempre incentivava José Carlos a ir além.

“Você tem um olhar especial sobre o mundo, José Carlos. Nunca perca isso”, ela lhe disse certa vez, entregando-lhe de volta uma redação cheia de elogios. “Escrever é uma maneira de entender quem somos e o que queremos.”

Esse ano foi um ponto de virada para José Carlos. Ele começou a perceber que, embora respeitasse a tradição militar de sua família e amasse seu pai, seus sonhos eram diferentes. A pressão para seguir a carreira militar estava sempre presente, mas ele sabia, no fundo, que seu futuro passava por outros caminhos, talvez longe dos prédios de Seropédica.

João Paulo é professor do CESU (Supletivo) de Santa Rita do Sapucaí, MG

A obra é fictícia. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

Entre Montanhas e Sonhos | Capítulo 9: Desafios e Descobertas na 3ª Série

21 out

Na 3ª série, as coisas começaram a mudar. José Carlos, agora com oito anos, começou a perceber que nem todos viam o aprendizado com o mesmo entusiasmo que ele. A escola, para alguns de seus colegas, era um fardo, algo a ser suportado até que pudessem trabalhar e ajudar suas famílias. José Carlos se via cada vez mais isolado em sua paixão pelos estudos e pela leitura.

A professora da 3ª série, Dona Carmem, era uma mulher firme, que acreditava na disciplina como meio para o sucesso. Ela gostava de manter sua turma sob controle rígido, e embora José Carlos fosse um bom aluno, ele também começou a sentir o peso das cobranças. As matérias tornavam-se mais complexas, e José Carlos se via desafiado a equilibrar a expectativa de boas notas com seu desejo de continuar escrevendo e lendo por prazer.

Mas foi também nesse ano que José Carlos descobriu algo novo: a matemática. Embora nunca tivesse se interessado muito pelos números, ele encontrou na lógica dos problemas matemáticos uma espécie de quebra-cabeça que o desafiava de maneira diferente das palavras. Dona Carmem, que era apaixonada por matemática, fez questão de mostrar a José Carlos que os números também contavam histórias. Para ela, a matemática era como uma linguagem secreta que, quando decifrada, revelava os segredos do mundo.

José Carlos começou a gostar de resolver problemas, e logo passou a vê-los como uma forma de exercitar sua mente da mesma maneira que a leitura fazia com sua imaginação. Foi uma descoberta importante, que o ajudou a equilibrar sua paixão pela literatura com o lado mais técnico do conhecimento.

João Paulo é professor do CESU (Supletivo) de Santa Rita do Sapucaí, MG

A obra é fictícia. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.